
A campanha do novo Audi Q3 começa com uma premissa que a maioria das peças automotivas evita assumir: o conforto não é certeza. Muito pelo contrário. E sua maior vantagem está em destacar seus benefícios diante do desconforto em vez da promoção da promessa.
É exatamente o que o público das novas gerações entende. Esse público busca a capacidade de mudar de ideia sem pagar o preço por isso, e é isso que o Audi promete no texto da campanha: “Você muda de música, de diversão, de rota. Remixa tudo e, se quiser, volta atrás”.
Esse é o retrato de um comportamento que a geração mais pesquisada da história do marketing vive como identidade, e que a comunicação de luxo tradicional tratou por anos como instabilidade a corrigir. Na campanha, eles trouxeram influenciadores que se identificam com o novo padrão.
A influenciadora Maria Brasil, que divide o tempo entre neurociência e psicologia na Columbia, teatro musical e criação de conteúdo para 750 mil seguidores, não aparece na campanha apenas como aspiração. Ela aparece como o reflexo desse público que a Audi busca converter.
As pessoas não querem ser Maria Brasil, mas se identificam com ela porque sabem que vivem uma versão própria do mesmo movimento que ela. Ambos vivem transitando entre mundos diferentes, sem precisar escolher um só, e é um veículo como o da Audi que faz a conexão entre eles.
A marca para de protagonizar e começa a acompanhar a rotina
A comunicação automotiva de luxo sempre foi construída em cima do carro como extensão da conquista. Se você chegou onde queria, agora dirija isso. O problema é que esse ponto de partida não funciona para um público que não organiza identidade em torno de conquista acumulada, mas em torno de experiência em curso.
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